Lá fora cai a chuva fina do outono, do inverno que se apoxima fazendo pequenos barulhos ao tocar o chão, o molhando devagar, sem pressa, sem temor. O vendo bate na janela de uma forma suave e amena que ao atravessa-la, chegando na minha pele faz-me arrepiar dos pés a cabeça pois junto dele vem as lembranças atormentar meu pobre coração, meu peito que sofre por uma ainda recente desilução.
O tempo continua passando, as horas voam e eu mal percebo o quanto as coisas mudaram, passou-se as quatro estações e minha vida de uma forma com a qual eu jamais pude imaginar, meus conceitos mudaram de tal forma que hoje custo a acreditar, tudo consequência da efemeridade do tempo e da minha falta de percepção pois hoje eu sei que o que passou jamais voltará e o mais engraçado é justamente parar pra pensar no que passou. Passei tanto tempo a sonhar a querer algo que quando aconteceu não me dei conta do trunfo que tinha bem nas minhas mãos, deixei que as coisas acontecessem de uma forma tão natural, não controlei meus impulssos, meus desejos, meus anseios e hoje vejo que tudo se foi, não sei se por descuido ou destino, sei apenas que acabou. Sorri, chorei, amei mais que tudo! vivi dias e dias de uma forma totalmente mudada, agi com a alma, deixei que meu coração falasse mais do que eu e hoje não consigo achar solução pra confusão da minha mente. O outuno voltou e não tenho mais quem me abrasse, aqui estou escrevendo versos pra desabrochar meus pensamentos pra colocar pra fora todo anseio, toda dor que aos poucos vai consumindo meu ser.. não posso ser hipocrita e dizer que não sei o que é a felicidade porque eu SEI e me orgulho disso, orgulho-me de ter sido e de continuar feliz porque uma perda é natural da vida e eu ainda vou ter muito a ganhar, mais a confusão que me toma me deixa totalmente atordoada porque eu não sei o que aconteceu, é sentimento sem explicação, é coisa que corroe meu ser, que cega meus olhos, surda-me e não me deixa seguir pois os caminhos parecem entrelaçados e só o que me resta é esse frio que eu sei que ainda durará muito, pois perto de mais um inverno eu estou e dessa vez sozinha, sem uma pele branca e macia pra me acolher, sem um abraço de urso, sem o sorriso mais lindo do universo, sem o olhar mais puro que um dia já pude ver ! mais sabe o que me fortalesce e o que não me deixa derramar nenhuma lágrima?
- A certeza de que tudo isso logo logo passará e que novamente eu voltarei a sorrir verdadeiramente, sem medo das consequencias, pois um ser humano não é nada perto da imensidão de alegria que me espera mundo afora, perto dos planos de Deus pra minha vida e perto das perolas que eu carrego ao meu lado.

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